Johann Sebastian Bach: Cantata 172 "Cantai-lhe louvores" (Erschallet, ihr Lieder)

Vídeos: Gravação das partes 1 até 3 e 6 pelo Coral Esperança, Cariacica, e reportagem sobre uma apresentação completa pelo Coral Sinfônico da fames e o Coral Esperança.

Johann Sebastian Bach é considerado por muitos o maior compositor de música sacra de todos os tempos. As suas obras vocais destacam-se sempre por uma perfeita união entre a mensagem da palavra e a mensagem da música. Para poder sentir melhor esse entrelaçamento sutil e cheio de profundas pensamentos teológicos apresentamos a obra em português, lembrando que Bach, como seguidor de Martinho Lutero, defendia sempre que os textos e a música do culto deveriam ser executados no vernáculo, então na língua do respectivo povo.
Quando Bach se tornou com 28 anos spalla (líder dos violinos, o músico mais importante de uma orquestra) do duque da Saxônia-Weimar, teve entre os seus deveres compor mensalmente uma cantata para os cultos. Três meses depois apresentou a cantata festiva “Cantai-lhe louvores” (Erschallet, ihr Lieder) para a festa de pentecostes, em sete movimentos. A obra foi, conforme à tradição, apresentada entre o evangelho e o sermão.
Bach repetiu a cantata em outros anos, o que mostra, que ele mesmo teve a obra em alta consideração.
O texto, provavelmente escrito pelo poeta Salomon Franck, concidadão de Bach, e a tradução de Axel Bergstedt. O texto inclui citações da Bíblia e do Hinário Luterano, assim no original alemão como na tradução.

O coro inicial é uma abertura festiva digna à importância da festa de Pentecostes. A forma segue incicialmente a de um primeiro movimento de um concerto barroco, mas no texto “o templo divino” Bach compus uma fuga a quatro vozes.

O recitativo cita, como comum em cantatas, uma frase bíblica do evangelho de Pentecostes, uma palavra pronunciada por Jesus. Jesus é tradicionalmente incorporado por um solista baixo. Bach mostra, como Deus é sublime em relação aos seres humanos, que ele visita em forma do Espírito Santo, colocando sempre notas agudas, quando o texto se refere a Deus, e notas graves, quando se refere aos seres humanos. O ato de tomar morada nos seres humanos, então o descer do Espírito Santo, aparece como uma longa viagem singrando agradavelmente para baixo. Jesus fala de “nós”, incluindo o Pai e anunciando o Espírito Santo.

O baixo continua com uma ária com trombetas e tímpanos, símbolos do rei, onde ele louva e adora a Trindade Santíssima.

Segue-se uma ária do tenor, que descreve em cantilenas amenas o “soprar” do Espírito Santo” nos corações dos crentes, chamados “moradas edênicas” em alusão ao paraíso, o jardim Éden. Franck e Bach escrevem assim, porque, a despeito da caída de Adão e da toda a raça humana, um novo paraíso pode já agora nascer nos corações do crentes, se o Espírito Santo toma conta deles.

No duetto Bach apresenta uma arte muito requintada. O soprano representa o crente ou mais exato a alma do crente, que anseia pela anunciada “brisa celestial”, e o contralto incorpora o Espírito Santo, que consola e conforta. No meio desse entrelaçamento tenro e amoroso, que lembra um verdadeiro namoro, aparece uma melodia tocada por um instrumento, em nosso caso a flauta: Embora ricamente enfeitado por trilos e notas adicionais os ouvintes dessa época certamente reconheciam o hino mais sublime da festa de Pentecostes “Komm, heiliger Geist” (Vem, espírito santo), muito prestigiado por Martinho Lutero e Johann Sebastian Bach. Pena que hoje quase ninguém conhece o hino, porque a melodia não é fácil, e por isso pouquíssimas igrejas brasileiras cantam-no.

O sexto movimento é um hino do hinário dessa época, também uma das melodias mais prestigiadas. Até hoje se encontra em muitos hinários. A citação de um hino tradicional no final de uma cantata é uma pratica bem comum de Bach. A “alegria” do cristão é demonstrado pelo brilho da sobrevoz da flauta, que forma uma quinta voz em cima das quatro vozes tradicionais do coral.

Nesse dia festivo a cantata não termina com esse hino, mas como em raros outros casos em dias festivos, o coro inicial com suas fanfarras sublime é novamente entoada.

Kit completo da Cantata 172 "Cantai-lhe", incluindo playbacks

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ou no site Coral Luterano

Cuidados e regras na tradução de textos de músicas

Tradução de textos de músicas
Ao contrário de traduções livros e textos em geral o tradutor na área da música tem que considerar e conciliar vários fatores:
  1. A tradução direta do texto, mantendo o sentido, a expressividade, as emoções e a poeticidade.
  2. O número das sílabas.
  3. A rima
  4. As figuras e expressões exprimidos pela música, que  correspondem com o texto original, devem voltar da mesma maneira na tradução, geralmente ligadas ás mesmas notas. Isso significa que essas palavras não podem mudar o seu lugar na frase.
  5. Se o texto e muito conhecido, como certos trechos da Bíblia na tradução de Lutero na Alemanha, da maneira de que o ouvinte se familiariza com o texto, seria bom, se o texto da tradução poderia ser tirado de uma Bíblia vulgar na língua da tradução, como no português a Almeida.  
Os compositores geralmente não têm nada contra tentativas de traduzir as obras deles. O ideal seria, todavia, que o  compositor participasse da tradução da sua obra. Nesse caso ele teria toda as liberdade. Ele poderia mudar a música, sempre quando necessário. Se a tradução é feita depois da morte do compositor, deve ser executada por pessoas, que, além de dominar as duas línguas e terem um dom poético, conhecem profundamente estilo e a escala das expressões da música do compositor. 
Nunca será possível conciliar todos os cinco pontos de cima. Por isso, na tradução da cantata 172 foi renunciada a rima na maioria das músicas, para poder ficar mais perto das expressões e sentimentos originais.